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segunda-feira, 12 de novembro de 2018

Opinião: Um breve histórico dos últimos governos e uma visão para 2019

                     Descrição para cegos: Imagem do Palácio do Planalto, sede do Poder Executivo                                                      Federal, local onde está o Gabinete Presidencial do Brasil. 

                                                                                                                        Por Manoel Holanda

       No último mês, milhões de brasileiros foram às urnas, e exercendo o papel da cidadania, a maioria escolheu Jair Bolsonaro para ser o 38º presidente eleito em nosso país. Acusado por muitos de ser racista por conta de suas declarações polêmicas, Bolsonaro terá muitos desafios em seu governo, e um dos principais será criar políticas públicas capazes de solucionar e combater o racismo e a desigualdade racial no Brasil.          Por aqui, o racismo contra os negros tem sido praticado desde o primeiro momento da chegada forçada destes seres humanos ao nosso país, uma vez que foram trazidos como escravos. A profunda desigualdade racial entre negro e brancos em praticamente todas as esferas sociais brasileiras é o resultado de mais de quinhentos anos de opressão e discriminação contra os negros.      Por décadas, a questão da desigualdade e da discriminação racial esteve ausente do debate público no país, mas isso começou a mudar em meados dos anos 2000, quando o Brasil passou a ser governado por Luiz Inácio Lula da Silva, responsável pela criação de inúmeras políticas de ações afirmativas.    É fato que, antes de Lula, Fernando Henrique Cardoso foi o primeiro presidente a ter assumido publicamente a existência da discriminação racial no Brasil, dando início a uma discussão no âmbito do governo para encontrar medidas que pudessem solucionar o problema, mas foi com o governo Lula que tais políticas saíram do papel, surgiram e se espalharam pelo sistema, diminuindo radicalmente os números dessa desigualdade.      Dando continuidade ao trabalho de Lula, Dilma Rousseff também contribuiu inteiramente ao ter aprofundado ainda mais as políticas públicas, como por exemplo, a criação da lei que instituiu a obrigatoriedade da adoção de cotas raciais e sociais nas universidades federais, fornecendo mais educação para pessoas que de outra maneira permaneceriam excluídas do sistema educacional brasileiro.     Após Dilma, veio o governo Temer, que, para muitos, representou o retrocesso e o avanço das desigualdades. Em meio a uma profunda crise moral, financeira e social, o governo Temer foi responsável pelo corte de gastos e pela redução dos programas sociais, decisões que contribuíram para o agravamento da desigualdade, e interferiram diretamente no compromisso do Estado para a garantia dos direitos humanos.      Agora, o governo Temer vai chegando aos seus últimos capítulos e será a vez de Bolsonaro. Em 2019, mais do que nunca, caberá ao Estado a tarefa de promover a igualdade, realizando ações voltadas para uma crescente melhoria da qualidade de vida de todos os brasileiros, independentemente da cor, da religião, ou da classe social que seja pertencente.    O novo governo precisará entender que a discriminação racial abrange toda distinção, exclusão ou restrição, que prejudique ou anule o exercício da cidadania nos campos político, econômico e social. Mas, para assegurar a igualdade não basta apenas proibir a discriminação. O Estado tem a obrigação de formular estratégias capazes de estimular a inclusão dos negros nos espaços sociais. Em outras palavras, não basta proibir, é preciso também promover, tornando rotineira a discussão respeitosa dos princípios da diversidade e do pluralismo em nossa sociedade.      Diminuir a pobreza, investir em educação e combater a violência são alguns dos compromissos que precisam ser assumidos pelo novo governo em 2019. Para isso, o movimento negro precisa continuar seu ativismo e ser protagonista na luta contra as distâncias que separam os negros dos brancos no Brasil.      Perante tudo isso, não poderá mais haver espaço para a omissão do Estado diante do racismo, do preconceito e das desigualdades sociais. O Brasil necessita ser verdadeiramente democrático, livre, e justo, permitindo que a população negra seja integrada de forma digna na sociedade. Em meio as incertezas, esse é o desejo de todos os brasileiros para 2019. 

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

Os desafios de uma jornalista negra

Descrição para cegos: a foto mostra a jornalista Maria Júlia Coutinho, da Rede Globo. Ela segura um papel com o símbolo do Bom dia, Brasil e está diante de um mapa do Brasil, que está cheios de símbolos utilizados na meteorologia. Ela aponta para uma das regiões do mapa.
Por Marijane Mendes

Para ser negra e jornalista no Brasil é necessário se portar como um centroavante, alguém que está em uma posição mais avançada, aquele que chega primeiro. É necessário ser muito forte para não se deixar abater. Os olhos por muitas vezes ficam cheios de lágrimas, mas se o objetivo é ser jornalista, as dificuldades podem fazer balançar, mas não podem deixar cair.
Ao ingressar na faculdade a menina logo ouve os avisos de que não vai conseguir trabalhar na TV com o “cabelo assim”. A futura jornalista fica triste, engole seco sem saber por que tem de ouvir tudo aquilo. Quem perguntou? Ela ainda é aconselhada de que até poderia trabalhar na televisão, mas desde que seja em um programa diferente, com o segmento musical. Amuada, acaba aceitando e nem se interessa pelas aulas de telejornalismo.